sábado, 27 de março de 2010

A sociedade e o crime - Menores Infratores

Juízo (...)mostra o lado humano – em todos seus bons e maus aspectos – da Justiça Juvenil no Rio de Janeiro.


De acordo com levantamento feito pela Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, órgão ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal, no estado do Rio de Janeiro um total de 1.034 adolescentes estão privados de liberdade.

Depois de ler processos, conversar com promotores, juízes, advogados, pesquisadores e jovens egressos do sistema juvenil, Maria Augusta Ramos filmou 50 audiências e trabalhou em dez delas. A cineasta apresenta na telona aquilo que de tempos em tempos entra em pauta no debate público brasileiro: o tratamento dado a jovens em conflito com lei. “O filme é feito também para que o público possa ver aquela realidade e concluir por ele mesmo”, avisa.”


Extraído de http://www.comunidadesegura.org/pt-br/node/38593


O filme aborda uma realidade do Rio de Janeiro,embora esta infelizmente não é especialidade carioca. Resolvi trazer a tona outra realidade juvenil, os delitos. No Brasil em inúmeras outras localidades, menores infratores atuam. A princípio gostaria de destacar que o principal objetivo aqui não é criticar a atuação do Poder Judiciário, do Executivo ou Legislativo do país, mas sim chamar à atenção de você, leitor, para algo existe na nossa sociedade que muitas vezes nós preferimos não lembrar.

A sociedade e o crime; menores Infratores


Não é válido tornar inocente aqueles que não são. Os infratores em sua grande maioria tem plena consciência dos seus atos, isso os incrimina, no entanto o complicado é medir até que ponto o infrator é culpado, visto que existe um número excedente de casos onde “ o crime” foi proporcionado por circunstâncias diversas do ambiente onde este jovem está inserido.
Aluísio de Azevedo, em O Cortiço, e muitos outros escritores já pregaram e exemplificaram correntes ideológicas a acerca do determinismo, onde trata-se o homem como o fruto direto do meio. Ou seja, um jovem inserido em um meio de criminalidade recebe uma carga determinante, que o obrigaria a transformá-lo em um criminoso.
Eu, particularmente, não sou adepta desse pensamento, o homem é capaz de mudar a realidade do meio onde vive, somos agentes de transformação, dotados de capacidade de raciocínios diferentes e sendo assim, possíveis de atitudes diferentes, que podem ir na contra-mão do ambiente onde se vive.
Porém, analisando crimes que são realizados por esses jovens amparado a uma retrospectiva dos tais , nos deparamos com uma forte influência dos meios externos, que facilitam o ato criminal. Esses fatores são principalmente o ambiente familiar, que em grande parte dos casos já se mostra completamente despreparado,submetido a uma realidade de miséria. Posterior a isso, vem os problemas relacionados à educação; jovens que apresentam níveis baixos de escolaridade, geralmente abandonam o estudo, formam a maioria dos infratores. Associação com tráfico de drogas para alimentar o próprio vício,também.
Eu me recordo, por exemplo, o caso de um adolescente, que assassinou seu próprio pai. Pai este, que em inúmeros outros momentos não só o agredia como também espancava sua mãe. Existe nesse jovem um marco forte de traumas psicológicos, e esses traumas não servem parar justificar o crime, no entanto, leitor, eles não podem ser deixados de lado, eles foram sim, relevantes para o ato criminal. Quem teve culpa? Como cuidar desse jovem, agora? São situações assim que nos fazem refletir sobre o problema que ronda o Brasil.Falta de educação, trabalho e saúde é o que atinge a maioria dos criminosos, tanto os juvenis como os demais.
O filme, Juízo, vai além, mostra também como é o Instituto Padre Severino, no Rio de Janeiro, que é aonde os jovens aguardam até que saia o final do seu processo. Lá, funciona basicamente como, a Febem em São Paulo ou outros Institutos do tipo, pelo país. Repletos de cenas tristes e tenebrosas.
Em suma, saliento uma reflexão sobre o percentual de culpa que a sociedade exerce sobre os crimes produzidos pelos menores infratores. Sem querer aliviá-los, mas, em contrapartida sem perder o tato do peso que a sociedade pode estar interferindo sobre este infrator. A realidade é cruel mas não precisa ser malvada.

2 comentários:

  1. Eita..
    Isso nao é texto isso é nossa..
    Sem palavras Lina mandou muito bem...
    Como alguem consegue falar tão bem em tão poucas palavras? ah como eu não sei mais quem consegue ah eu sei VOCÊ, a melhor ... heheh
    Muito bom amiga continue assim
    Escolheu assuntos muito bons e descorreu muito bem
    Parabéns amiga.. você vai longe

    Rafaah'

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  2. Obrigada Rafa! ;) No fundo eu nem escrevo tão bem, você que é amiga mesmo... rs ahaha Beijos! Volte mais vezes.

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